RAIA | Red Audiovisual Iberoamericana

A identidade cultural de um povo é geralmente reconhecida por seus elementos unificadores, como território, língua e religião. O conceito passou a ser visto com certa ressalva por formuladores e pesquisadores contemporâneos atrelado ao nacionalismo e utilizado como política de Estados. 
 
A cultura, cada vez mais homogeneizada, resulta de um certo hibridismo cultural da sociedade global, capaz de agir com a mesma intensidade e força de comando em sociedades tão distintas quanto o Brasil e o Iraque, por exemplo. Nesse ambiente global, a questão da identidade assume outras características.
 
A construção do sentido de nação significa, para Zygmunt Bauman, a negação de diversificação étnica e cultural. “O poder, enquanto incorporado na circulação mundial do capital e da informação, torna-se extraterritorial, enquanto as instituições políticas existentes permanecem, como antes, locais. Isso leva inevitavelmente ao enfraquecimento do Estado-nação”. 
 
No plano individual, identidade é condição de cidadania, de conquista de direitos e ciência de deveres. E se a sociedade lhe garante acesso aos conteúdos diversos e liberdade de expressão, pode significar a construção da própria subjetividade, por meio do reconhecimento e valorização dos fatores constitutivos da sua herança cultural, assim como a possibilidade de identificação com outras culturas e modos de vida.
 
Por outro lado, a globalização deveria potencializar o processo de construção e consolidação de uma identidade própria, legitimada por escolhas e vínculos de herança. Mas como conseguir isso nos dias de hoje?
 
Talvez o antropólogo italiano Massimo Canevacci nos traga alguma pista, ao decretar “a emergência de uma nova subjetividade que deve ser favorecida e sustentada devido à sua enorme potencialidade da autorrepresentação”.
 
 “A autoridade do antropólogo estava em crise”, declara Canevacci diante de sua surpresa ao se deparar com a presença marcante de grupos indígenas Bororo e Xavante, no Mato Grosso, registrando com câmeras de vídeo os próprios rituais. O antropólogo constrói, a partir dessa constatação, sua incursão teórica em torno da importância da autorrepresentação para o fortalecimento das culturas locais.
 
Se uma cultura, como construção simbólica, pode ser tecida autonomamente, sem o olhar contaminado pela tradução e mediação de instituições, meios de comunicação e governos, poderá sê-la de forma mais rica e legítima, pois utilizará, para isso, referenciais, mitos e memória afetiva próprios. O acesso às tecnologias digitais suprime definitivamente essas mediações, segundo Canevacci.
 
Uma característica marcante desse fenômeno é a articulação entre movimentos sociais e de mercado, abolindo completamente a possível dicotomia entre essas duas instâncias, com lógicas e relógios muitas vezes antagônicos. As redes socioculturais tornam possível esse tipo de convivência, talvez por uma espécie de sincretismo presente nas mais diversas instâncias.
 
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La identidad cultural de un pueblo es reconocida en general por sus elementos unificadores tales como territorio, idioma y religión. El concepto pasó a ser visto con salvedad por organizadores e investigadores contemporáneos atraillado al nacionalismo y utilizado como política de los Estados.

La cultura, cada vez más homogeneizada, resulta de un cierto hibridismo cultural de la sociedad global, capaz de actuar con la misma intensidad y fuerza de comando en sociedades tan distintas cuanto Brasil e Irak, por ejemplo. En ese ambiente global, la cuestión de la identidad asume otras características.

Para Zygmunt Barman la construcción del sentido de nación significa la negación de la diversificación étnica y cultural. “El poder se vuelve extraterritorial mientras las instituciones políticas existentes permanecen, como antes, locales. Eso lleva inevitablemente al debilitamiento del Estado-nación”. 

En la dimensión individual, identidad es condición de ciudadanía, de conquista de derechos y de ciencia de deberes. Y si la sociedad garantiza el acceso a los contenidos diversos y libertad de expresión, se puede significar la construcción de la propia subjetividad por medio del reconocimiento y valorización de los factores constitutivos de su herencia cultural, así como la posibilidad de identificación con otras culturas y modos de vida. 
 
Por otro lado, la globalización debería potenciar el proceso de construcción y consolidación de una identidad propia, legitimada por elecciones y vínculos de herencia. Pero como conseguir eso los días de hoy?

Quizás el antropólogo italiano Massimo Canevacci nos traiga alguna pista por decretar “la emergencia de una nueva subjetividad favorecida y sustentada por su enorme potencialidad de la autorrepresentación”. “La autoridad del antropólogo estaba en crisis”, declara Canevacci delante de su sorpresa con la presencia de grupos indígenas Bororo y Xavante en Brasil registrando con cámaras de vídeo los propios rituales. El antropólogo construye a partir de esa constatación su incursión teórica alrededor de la importancia de la autorrepresentación para el fortalecimiento de las culturas locales.

Si una cultura, como construcción simbólica, puede ser tejida autónomamente, es decir, sin la mirada contaminada por la traducción y mediación de instituciones, medios de comunicación y gobiernos, podrá serla de forma más rica y legítima, pues utilizará, para eso, referencias, mitos y memoria afectiva propios. El acceso a las tecnologías digitales suprime definitivamente tales mediaciones, según Canevacci.

Una característica destacable de ese fenómeno es la articulación entre movimientos sociales y de mercado aboliendo completamente la posible dicotomía entre esas dos instancias, con lógicas y relojes muchas veces antagónicos. Las redes socioculturales vuelven posible ese tipo de convivencia, quizás por una especie de sincretismo presente en las más diversas instancias.

Etiquetas: audiovisual, diversidade, globalização, identidade

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