RAIA | Red Audiovisual Iberoamericana

Atualmente estou desenvolvendo um trabalho no qual procuro analisar a relação entre cultura, desenvolvimento e economia no Brasil. Contudo, encontro certa dificuldade por se tratar de um tema ainda pouco explorado em suas múltiplas particularidades. Assim, gostaria de conversar sobre algumas questões que acredito ser de grande importância para a atualidade do debate que cerca o tema das políticas culturais.
Tendo em vista o constante crescimento do debate acerca da relação entre cultura e desenvolvimento nacional, principalmente no que diz respeito, agora, à economia da cultura, podemos observar que nada ou quase nada mudou em relação a antigos projetos, principalmente se pensarmos em termos de Brasil. Desde Vargas (1930-1945), passando pelo Regime Militar (1964-1985) e logo em seguida a abertura com José Sarney e o período democrático com Collor, FHC e Lula, me parece que a receita é a mesma, é pensado uma super estrutura - a qual entende-se como a mais necessária - mas em contrapartida a base para que seja realizada e posta em prática não se sustenta. Nesse processo, a economia da cultura como projeto para auxiliar no desenvolvimento nacional acaba por enfatizar ainda mais a precarização com que o setor se encontra hoje, valorizando cada vez mais o mercado. Que tipo de desenvolvimento podemos esperar de um processo que acaba por gerar a necessidade de uma padronização cultural em detrimento a estrutura social que a cerca?
Venho de uma escola na qual o desenvolvimento deve ser pensado a partir de cinco pontos principais, a saber, Distribuição de renda; Redução da desigualdade; Aumento da qualidade de vida; Aumento da produtividade e o Cuidado ambiental. Não vejo em nenhum momento essas características aflorarem, nem mesmo quando a idéia era formar uma identidade nacional, como forma de fortalecer a economia, como foi o caso dos militares. Assim, surge outra questão: como pensar um modelo de desenvolvimento democrático em todas as instâncias, sem que haja uma padronização de mercado? É possível um equilíbrio?
E uma última: Essa é uma característica única da politica cultural brasileira, como se dá essa relação, cultura, economia e desenvolvimento nos países iberoamericanos? 
 
Acredito na importância e no potencial da economia da cultura, mas dentro de um modelo que realmente seja com desenvolvimento democrático em todas as suas instâncias.

Etiquetas: Cultura, Culturais, Desenvolvimento, Economia, Políticas, da

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