por Jeff Anderson
Invadimos hoje a casa que Sérgio Buarque de Holanda residiu com sua família e escreveu parte do livro RAÍZES DO BRASIL. INVADIMOS E OCUPAMOS esse
espaço para fazer politica e estética em um contexto histórico impar no
Brasil e no mundo.
Adentramos a segunda década do século XXI. Começamos nossas reinvindicações sociais, politicas e estéticas ao primeiro minuto do dia primeiro, do primeiro mês do ano de dois mil e onze. 00h01m 01/01/11
Quando neste tempo e espaço é demarcado pela transição de figuras de governo –
Luís Inácio LULA da Silva à Dilma Rousseff. A diretriz partidária e
politica é a mesma.
Invadimos a casa de Sergio Buarque de Holanda para fundar a COMBOIO UNIVERSO CIDADE.
Comboio é um grupo de seres humanos que se reuniram para fundar.
Comboio é lugar. Novas formas de relações humanas. Socialização.
Nós fundaremos o universo cidade, a teoria cidade e a residência cidade.
Tátudotãobá
Relações visíveis, sentidas por meio da observação constante e afagada.
O Eu sinto muito o que eu explico.
Somos espelhos de nós mesmos, oposição terrena de ideias, paixões complacentes de amizades eternas.
O outro. Legitimado a partir do nós. O outro universo. O outro como parte e como todo.
Síntese. Unidade universal. Resumo da vida simples e terrena. Espirito Santo, Fé na alegria.
Escultura social é o que fazemos.
Estética politica do corpo.
Criativos seres humanos.
Invadir e Ocupar a casa de Sergio Buarque de Holanda é colocar o corpo como
forma e ferramenta opositiva às politicas já encaminhadas e aplicadas
como soluções urbanísticas, arquitetônicas e sociais no governo LULA.
Repudiamos toda a ação que o Estado brasileiro tomou ao usar o EXÉRCITO contra o
próprio povo. Repudiamos a covardia e desequilíbrio das forças quando
helicópteros, tanques de guerra e milhares de soldados se puseram contra
o Morro do Alemão e lavaram a terra com sangue. Porção geográfica desde
sempre excluída e constitutiva a partir da inercia ou inexistência do
conceito Estado. Repudiamos a prática da coerção e força visivelmente
adotadas pelo Estado, em uma medida desesperada para atender a contratos
internacionais assinados em decorrência dos eventos esportivos - COPA e
OLIMPÍADAS - que ocorrerão em nosso país. Repudiamos a incapacidade de
reflexão quanto à temática FAVELA. Repudiamos o preconceito. O Estado e a
sociedade brasileira confundem FAVELA com problemas sociais. FAVELA É
ARQUITETURA E URBANISMO. Os problemas sociais que estão no espaço FAVELA
são decorrências históricas da concentração de renda e da ausência do
Estado capaz de desenvolver políticas inclusivas para a grande parte dos
cidadãos.
Nós não podemos destruir ou acabar com as FAVELAS. O nome
FAVELA é de origem da flora do nordeste do país. A primeira citação do
nome FAVELA na literatura pode ser encontrada em “Os sertões” - Euclides
da Cunha - quando essa confere significado espacial.
“Todas
traçam, afinal, elíptica curva, fechada ao sul por um morro, o da
Favela, em torno de larga planura ondeante onde se erigia o arraial de
Canudos – e daí, para o norte, de novo se dispersam e decaem até
acabarem em chapadas altas à borda do S. Francisco” (p. 19).
O
Brasil é o único país que denomina os espaços ocupados pelo povo, sem o
racionalismo urbanístico e arquitetural, como sendo FAVELAS. Nossa
especificidade começa aqui. Pelo nome. Até hoje, todos os projetos
urbanísticos e arquitetônicos aplicados pelo Estado, portanto modernos,
tiveram suas origens em correntes europeias. Influências diretas de
pessoas que não sabem e não conhecem o senhor Jorge. O menino Henri. A
patrícia. A dona Lúcia, o senhor Raimundo e tantos outros José e Maria.
Temos que pensar América Latina. Nossas dores são as mesmas.
A
Favela nasceu espontaneamente. Não ouve um projeto. Nasceu por duas
grandes consequências: a chegada da família Real e abolição da
escravatura. Portanto, nasceu da necessidade e com características
nacionais. Tem tempo e espaço.
Se existe um modelo arquitetônico e
urbanístico genuinamente nacional ele é a FAVELA. Porque vem com o
Estado e traz como agentes o resultado da confluência entre
miscigenações que é o povo brasileiro. Caquinhos de azulejos coloridos.
Mosaico. Este possui tempo e espaço. É o único espaço que tem gosto,
cheiro e musica própria. Não podemos crer que a melhor maneira de
solucionar o problema seja destruir mais de um século de construção
orgânica e de cultura. Racionalizar a Favela é se esquecer da
malemolência do samba. Da sinuosidade das ondas do mar. Da racionalidade
natural da Amazônia. É matá-la.
Não existe problema. A Favela não é
problema urbanístico ou arquitetural. Portanto, não pode ser resolvido
por meio de projetos arquitetônicos e urbanísticos. Simples. O problema
permanece no individuo que mora na Favela e esse problema é social. Ele
não tem emprego que atenda suas necessidades e de sua família. Ele não
conseguiu estudar. Ele não tem saúde. Ele não tem perspectiva. Ele não
tem chance dentro da sociedade brasileira tal qual como está e mesmo
assim acorda as quatro da manhã para ir trabalhar. O favelado é antes de
tudo um forte.
É por isso que invadiremos e ocuparemos a casa de
Sergio Buarque de Holanda, pois muito de sua história e de seus filhos
se fez por conta do povo brasileiro. Chico Buarque de Holanda muito
escreveu e cantou sobre a FAVELA. Anna Maria Buarque de Hollanda, neste
momento, ocupa o cargo de ministra da Cultura no Governo Dilma Rousseff.
Além, obviamente, de saber que a casa situada a Rua Buri está vazia e
sem função social há anos.
O que queremos é fundar a COMBOIO UNIVERSO CIDADE para refletir e produzir conhecimento e práticas orgânicas na temática CIDADE. Assim, como também, queremos toda a intervenção do MINISTÉRIO DA CULTURA sobre os planos e ações do ESTADO a tudo que se referir às FAVELAS. O MINISTÉRIO DA CULTURA É RESPONSÁVEL POR TUDO O QUE OCORRER NAS FAVELAS.
Queremos que o MINISTERIO DA CULTURA intervenha diretamente no reconhecimento legal que torne a FAVELA COMO PATRIMÔNIO ARQUITETÔNICO E URBANÍSTICO CULTURAL NACIONAL.
SOMOS O COMBOIO
¡Necesitas ser un miembro de RAIA | Red Audiovisual Iberoamericana para añadir comentarios!
Participar en RAIA | Red Audiovisual Iberoamericana