Foi camiinhando despretensiosamente, mas com o olhar atento, que encontrei Gilmar. Um jovem de 21 anos e morador da Cidade de Guaraci, interior de São Paulo. Distante a 580 km da Praça da Sé.
A prática do Flâner - o perder-se na Cidade - possibilitou que eu me deparasse com a arquitetura de uma pequena capela de Santo Reis. Arquitetura orgânica e coberta por telhas feitas nas coxas. Embora a arquitetura trouxesse grande curiosidade e interesse, o que mais me chamou atenção foram as imagens religiosas pintadas na fachada da construção. Por isso bati palmas e chamei.
Eram imagens hiper-realistas que traziam em sua composição materiais de pouca durabilidade ao tempo e ao espaço. Fé. Tinta de tecido grudada a parede de barro. Os traços são finos, dentro da possibilidade existente e proporcionada pelos únicos dois pinceis de posse do artista Gilmar. Gilmar é devoto de Santo Reis, Na Folia, ocupa o importante papel do palhaço. Ele dança e protege a Bandeira enquanto a procissão levanta poeira no mês de janeiro. É assim todos os anos. Foi assim desde seus primeiros dias de vida.
Este ano Gilmar despediu-se dos seus pais. Eles morreram. A capela serve, também, para abrigar a recente placa de falecimento de sua mãe, pois ainda não fora afixada ao túmulo. Seu pai também ocupa espaço garantido dentro da capela. O violão - instrumento tocado por ele enquanto ditava o ritmo da procissão- hoje é peça decorativa e traz muitas saudades. Diplomas, troféus e certificados concedidos pelo Encontro Estadual de Folia de Reis conferem à capela a composição Estética da Fé oficializada pelo Estado.
A capela de Santo Reis construída pelas mãos de Gilmar e de sua família é mais que um lugar de oração, é um pedaço do coração daquele que ainda não percebeu o tamanho de seu dom.
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© 2012 Creado por Fernanda Martins.
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