FIM
É o Fim. Não nascemos, fomos vomitados. OCUPADOS e INVADIDOS.
É chegado o momento de se limpar, de separar, de listar e de deixar claro. Na antropofagia tudo pôde, tudo coube, tudo foi permissível. Sem crítica. Sem responsabilidade. Sem amor e em prol da acefalia industrial. Não queremos nunca mais outras CUBATÃO. Não queremos nunca mais outros acidentes de Goiânia – 13 de SETEMBRO DE 1987. Não queremos NENHUMA ANGRA.
Mataram em nome da LINHA DE PRODUÇÃO. Em nome da energia poluidora. Crianças nasceram com anomalias. O meio ambiente sofreu e sofre. Representamos todas as atrocidades e injustiças cometidas desde que compramos BRASILIA. Representamos todos aqueles que resistiram. Somos a anti-norma que venceu e tem VIDA. Por isso queremos o Fim. O tão esperado Fim do Modernismo. O tão esperado FIM da dominação de uma pequena classe sobre a maioria. O tão esperado fim da tecnocracia e do racionalismo. Somos o recomeço. O BERRO!
A MISTURA É SOCIAL. A FEIJOADA, A BASE.
Não nos iludimos nem estamos encantados. Estamos a frente dos acontecimentos nacionais. Vamos separar, vamos limpar, vamos listar e deixar claro tudo o que é do POVO, POVO BRASILEIRO. Sem chiclete, coca-cola, carro e ismos. Não queremos nada do que não nos pertence. Queremos o que está na base da Constituição do Estado Nacional: TERRA, TRABALHO E CIDADANIA.
O que vamos fazer é simples. Vamos seguir os passos daqueles que contaram a história brasileira com pena francesa, tinta holandesa, pincel alemão sobre papel norte americano e
classificá-los como o que sempre foram: ESTRANGEIROS.
Partiremos do exemplo de 1917 – início da Arte Moderna no Brasil – exposição de Anita Malfatti, palacete a Rua Libero Badaró, 111.
Ela trouxe os ismos. Ela ficará com os ismos. E todos aqueles que ajudam na construção e alicerçamento da estética industrial serão recontados, reclassificados, e retirados do
panteão da historia nacional. Serão o que sempre foram: ESTRANGEIROS. Os traidores deverão cair.
Nesta exposição Anita conheceu Mario de Andrade. Inicio da formação do Grupo dos Cinco, precursor da SEMANA DE ARTE MODERNA DE 1922 no TEATRO MUNICIPAL DE SÃO PAULO.
A exposição de Anita começou em dezembro.
Nós começaremos a limpeza e classificação em 27 de novembro de 2010. Nosso local expositivo é muito diferente do TEATRO MUNICIPAL DE SÃO PAULO. Na ERA URBANA, Nós vamos ocupar uma INVASÃO HABITACIONAL resistente há mais de 10 anos e com 365 famílias situada a RUA INDEPENDÊNCIA, no bairro do CAMBUCI, onde foi travado inúmeras LUTAS POLÍTICAS E SOCIAIS na cidade de SÃO PAULO ao longo da historia que não foi contata como, por exemplo a REVOLUÇÃO ESQUECIDA e a queda da BASTILHA DO CAMBUCI – destruição e queima do presídio a Rua Barão de Jaguara É lá que daremos início ao UNIDADE 2022, A REGURGITAÇÃO DO MODERNO.
A REVOLUÇÃO ESTÉTICA SERÁ POLÍTICA.
Nós não compactuamos com os desdobramentos modernos em: arquitetura, urbanização e arte.
Não queremos mais influências impostas pelo poderio econômico. Renegaremos tudo aquilo que o Capital impõe como principio de criação e expressão estética. Faremos política ao realizar tamanho deslocamento social e união quando nos fixar a REALIDADE DE MILHÕES DE BRASILEIROS. Somos A MAIORIA. Seremos UM. Seremos A UNIDADE. O UNIVERSO.
O Brasil dos esquecidos, o Brasil que agora vai falar e contar sua própria historia sobre seu próprio pincel e papel. Sobre sua casa.
COMEÇAR.
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© 2012 Creado por Fernanda Martins.
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