████ MANIFESTO COMBOIO
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►►► FAVELA É ARQUITETURA E URBANISMO. Os problemas sociais que estão no espaço FAVELA
são decorrências históricas da concentração de renda e da ausência do Estado capaz de desenvolver políticas inclusivas para a grande parte dos cidadãos.
Nós não podemos destruir ou acabar com as FAVELAS. O nome FAVELA é de origem da flora do nordeste do país. A primeira citação do nome FAVELA na literatura pode ser encontrada em "Os sertões" - Euclides
da Cunha - quando essa confere significado espacial.
"Todas traçam, afinal, elíptica curva, fechada ao sul por um morro, o da
Favela, em torno de larga planura ondeante onde se erigia o arraial de
Canudos -- e daí, para o norte, de novo se dispersam e decaem até
acabarem em chapadas altas à borda do S. Francisco" (p. 19).
O Brasil é o único país que denomina os espaços ocupados pelo povo, sem o
racionalismo urbanístico e arquitetural, como sendo FAVELAS. Nossa
especificidade começa aqui. Pelo nome. Até hoje, todos os projetos
urbanísticos e arquitetônicos aplicados pelo Estado, portanto modernos, tiveram suas origens em correntes europeias. Influências diretas de pessoas que não sabem e não conhecem o senhor Jorge. O menino Henri. A patrícia. A dona Lúcia, o senhor Raimundo e tantos outros José e Maria. Temos que pensar América Latina. Nossas dores são as mesmas. A Favela nasceu espontaneamente. Não ouve um projeto. Nasceu por duas grandes consequências: a chegada da família Real e abolição da escravatura. Portanto, nasceu da necessidade e com características nacionais. Tem tempo e espaço.
► Se existe um modelo arquitetônico e urbanístico genuinamente nacional ele é a FAVELA.
Porque vem com o Estado e traz como agentes o resultado da confluência entre miscigenações que é o povo brasileiro. Caquinhos de azulejos coloridos. Mosaico. Este possui tempo e espaço. É o único espaço que tem gosto, cheiro e musica própria. Não podemos crer que a melhor maneira de
solucionar o problema seja destruir mais de um século de construção
orgânica e de cultura. Racionalizar a Favela é se esquecer da malemolência do samba. Da sinuosidade das ondas do mar. Da racionalidade natural da Amazônia. É matá-la. Não existe problema. A Favela não é problema urbanístico ou arquitetural. Portanto, não pode ser resolvido por meio de projetos arquitetônicos e urbanísticos. Simples. O problema
permanece no individuo que mora na Favela e esse problema é social. Ele
não tem emprego que atenda suas necessidades e de sua família. Ele não
conseguiu estudar. Ele não tem saúde. Ele não tem perspectiva. Ele não
tem chance dentro da sociedade brasileira tal qual como está e mesmo
assim acorda as quatro da manhã para ir trabalhar. O favelado é antes de
tudo um forte.
É por isso que invadiremos e ocuparemos a casa de Sergio Buarque de Holanda, pois muito de sua história e de seus filhos se fez por conta do povo brasileiro. Chico Buarque de Holanda muito escreveu e cantou sobre a FAVELA. Anna Maria Buarque de Hollanda, neste momento, ocupa o cargo de ministra da Cultura no Governo Dilma Rousseff.
Além, obviamente, de saber que a casa situada a Rua Buri está vazia e
sem função social há anos.
O que queremos é funda a COMBOIO UNIVERSO CIDADE para refletir e produzir conhecimento e práticas orgânicas na temática CIDADE. Assim, como também, queremos toda a intervenção do MINISTÉRIO DA CULTURA sobre os planos e ações do ESTADO a tudo que se referir às FAVELAS. O MINISTÉRIO DA CULTURA É RESPONSÁVEL POR TUDO O QUE OCORRER NAS FAVELAS.
Queremos que o MINISTERIO DA CULTURA intervenha diretamente no reconhecimento legal que torne a FAVELA COMO PATRIMÔNIO ARQUITETÔNICO E URBANÍSTICO CULTURAL NACIONAL.
SOMOS O COMBOIO
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